Após a “Operação Viajantes”, realizada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), há dez dias, o MPE (Ministério Público Estadual) divulgou nesta sexta-feira (14), a participação de cada um dos sete vereadores envolvidos no suposto esquema de farra das diárias de viagem, que pode ter desviado mais de R$3,5 milhões. Foi apurado nas investigações, que o presidente da Câmara, Adalberto Alexandre Domingues (PRTB), o Betinho, era o ‘mentor’ do esquema.
Conforme o MPE, ele era o articulador dos pagamentos indevidos de diárias, contratação irregular de empresas, pagamento de pensão alimentícia de filha com dinheiro público, saques na boca do caixa de supermercado e possuía ‘poder de mando’ sobre os colegas da Câmara, além da aquisição de bens em nome de laranjas. Ele ainda teria elaborado estratégias de defesa perante a polícia e ao MPE.
Durante o cumprimento do mandado de busca na casa do vereador, o Gaeco apreendeu cupons fiscais de despesas dos envolvidos em churrascarias de Campo Grande, pagas com dinheiro público. Os cupons tinham valores entre R$ 1 mil e 13 mil.
O presidente da Câmara, mais os vereadores Antonino Ângelo da Silva (PSC), vice-presidente, Célia Regina Ribeiro (PSDB), Cláudio Roberto Siqueira Lins (PTdoB), Diony Erick Lima (PSDC), Fabiano Duarte de Souza (PR) e Justino Machado Nogueira (PDT) e os servidores Cacildo Camargo, Gil Nei Paes da Silva, Marcos Gomes da Silva Junior, Natanael Godoy Neto e Walter Antônio foram afastados, por força de liminar, dos cargos. Eles ainda tiveram decretada a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, por decisão judicial, baseada em ação civil pública por ato de improbidade administrativa.
A “Operação Viajantes” foi resultado da investigação conduzida pela Promotoria de Justiça de Ribas do Rio Pardo, que apurou irregularidades no pagamento de diárias a vereadores e servidores e um esquema criminoso de desvio de recursos públicos. Eram realizadas contratações de empresas sem licitação ou por meio de procedimentos licitatórios irregulares para beneficiar empresas de familiares e de amigos dos agentes públicos. Os vereadores também teriam forjado viagens e participações em eventos e reuniões fora do Município, isto para receberem indevidamente valores relativos a diárias.
Participação de cada vereador apurada pelo MPE
Antonino Ângelo (PSC) – Vice-presidente da Câmara – Auxiliou na “regularização” de supostos cursos, fora do Estado. Na casa dele foram apreendidos 28 certificados de participação do em cursos, que somaram 67 dias fora da cidade, com recebimento de R$ 55.300,00 de diárias. Pelos documentos, ele chegou a estar em três lugares ao mesmo tempo.
Diony Erick Lima (PSDC) – Recebeu diárias indevidas e participou de armação concebida pelo presidente da Câmara para arquivar a instauração de procedimento por quebra de decoro parlamentar contra a vereadora Lucineide Marques Nossa, processada pelo crime de concussão.
Fabiano Duarte de Souza (PR) – Recebeu diárias indevidas e após o início das investigações, fez discurso na Câmara, mandando recado intimidatório à polícia.
Cláudio Roberto Siqueira Lins (PTdoB) – Agia junto com os outros vereadores em contratações de despesas desnecessárias e indevidas, por meio de fraude em procedimento licitatórios. O Gaeco apreendeu na casa dele, uma lista de presença “em branco” e certificados de alguns vereadores relacionados a um curso que não participaram.
Diony Erick Lima (PSDC) – Como 1º Secretário da Mesa Diretora, o vereador se omitia a fiscalização dos gastos da Câmara.
Pedro Cacildo Camargo – diretor administrativo – Era o ‘homem de confiança’ do Presidente. Ele recebia o dinheiro em mãos e repassava aos participantes do esquema. Cobrava propina de fornecedores da Câmara, fazia saques em dinheiro na boca do caixa do supermercado, recebeu diárias indevidamente e tem parentes que possuem contrato direto com a Câmara.
Walter Antônio: Contador. Fazia a contabilidade dos desvios do dinheiro público. A empresa da filha (FAMMA) mantém contrato com o legislativo. Morador de Campo Grande, ele usava os cheques da Câmara para pagar diárias a si mesmo, para participar de eventos na capital.
Célia Regina e Justino Machado – recebimento indevido de diárias. Por serem políticos experientes, participam das reuniões realizadas pelo grupo acima mencionado, aconselhando e orientando os mais novos no tocante à tomada de decisões e tratamento dos fatos em análise.
Marcos Gomes (Presidente da Comissão de Licitação), Gil Nei (pregoeiro) e Natanael Godoy (assessor jurídico): auxiliaram no impedimento do caráter competitivo dos procedimentos licitatórios, direcionando os certames para determinados concorrentes, omitindo-se do dever de publicar editais, repetição de licitações desertas com as mesmas participantes da anterior licitação também deserta, pesquisa de preços com empresas de ramos diversos do objeto do edital. (Midiamax)
Por: Da Redação