A fronteira entre Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e Puerto Quijarro, na Bolívia, está entre os principais pontos de uma investigação sobre o transporte internacional de drogas. Deflagrada nesta quinta-feira (15), a Operação Capolinea busca desarticular uma organização criminosa suspeita de trazer entorpecentes do país vizinho e distribuí-los para diferentes regiões do Brasil.
A ofensiva é conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso do Sul (FICCO/MS) e alcança também os estados de São Paulo, Goiás e Minas Gerais. Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 41 mandados, entre buscas e apreensões e prisões, além de medidas patrimoniais que somam R$ 24 milhões.
As decisões partiram da 1ª Vara Federal de Corumbá, que também autorizou a inclusão de três investigados residentes no exterior na Difusão Vermelha da Interpol.
Celular apreendido ajudou a revelar a estrutura do grupo
O caminho percorrido pelos investigadores começou com a análise de um telefone celular apreendido com um dos suspeitos. O material permitiu avançar na identificação dos integrantes da organização e apontar quem seria seu líder, que, segundo as apurações, estaria na Bolívia.
A investigação indica que o grupo recorria a veículos para transportar os carregamentos e recrutava pessoas para auxiliar na logística das viagens. Entre os episódios identificados está a apreensão de uma remessa de drogas em Três Lagoas, em agosto de 2025.
No conjunto das movimentações examinadas, os investigadores estimam que a organização tenha negociado cerca de 24 toneladas de entorpecentes.
Bloqueio financeiro busca atingir a organização
Além das prisões e das buscas, as medidas autorizadas pela Justiça incluem o sequestro de bens e o bloqueio de valores de até R$ 24 milhões. A estratégia busca alcançar o patrimônio relacionado às atividades investigadas, ampliando a atuação para além da apreensão de drogas e da identificação dos suspeitos.
Os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas e organização criminosa. As responsabilidades individuais serão apuradas no curso do procedimento judicial.
Atuação conjunta de forças de segurança
A FICCO/MS reúne a Polícia Federal, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, a Polícia Penal Estadual, a Polícia Civil, a Polícia Penal Federal, a Secretaria Nacional de Políticas Penais e a Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande.
A Operação Capolinea reforça a dimensão interestadual e internacional das investigações sobre o tráfico de drogas, tendo Corumbá como referência judicial da ação e a fronteira com a Bolívia como elemento central da rota investigada.
*Fotos: Comunicação Social da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul

