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Agetrat e assentados buscam manter transporte coletivo rural

Entre as propostas estão o reajuste do valor cobrado por trecho e a cobrança em cima da carga levada pelo usuário

Reunião realizada nesta segunda-feira (21) na Agência Municipal de Trânsito e Transporte (Agetrat) de Corumbá discutiu alternativas para manutenção do transporte coletivo na zona rural do município. Na semana passada, a empresa que opera na região comunicou ao órgão sua intenção de suspender o serviço a partir do dia 30 de novembro. A situação é complexa devido à discussão sobre competência para a regulamentação do transporte coletivo na zona rural, já que, mesmo atuando há mais de 20 anos no setor, a empresa nunca teve concessão para trabalhar fora do perímetro urbano.

“Apesar disso, a Prefeitura está disposta a encontrar uma solução para o impasse, que pode prejudicar muito os pequenos produtores da zona rural”, afirmou o diretor-presidente da Agetrat, Gerson Moraes. Grande parte dos assentados utiliza o transporte coletivo para trazer seus produtos para comercialização na zona urbana. A interrupção do serviço pode inviabilizar o escoamento desta produção. “Se tivermos que alugar um carro para trazer as verduras para vender na feira, isso seria repassado ao consumidor. O preço ficaria muito alto e, talvez, nem compensaria mais para gente”, avaliou Juraci Francisco de Oliveira, do assentamento Tamarineiro II Sul.

“Hoje o ônibus é o nosso principal meio de transporte para vir até a cidade. Sem ele, muitos assentados vão ficar praticamente presos dentro de seus lotes”, disse Eduardo Dias Braga, do assentamento São Gabriel. Edemir de Lima Rodrigues, do Tamarineiro I, também destacou a importância do transporte coletivo na zona rural. “Na época das chuvas, o ônibus chega a ficar meses sem passar no assentamento. É uma situação difícil para gente. Agora imagina como vai ser se ele deixar de passar também no período seco?”, questionou.

Além da falta de um contrato de concessão, a empresa alega que os preços praticados no transporte rural estão defasados, já que o último reajuste teria ocorrido em 2002. Outro problema seria a gratuidade para as pessoas com mais de 60 anos, que representa uma grande parcela da população residente nos assentamentos do município. De acordo com os próprios agricultores, algumas famílias mandam a produção para a cidade justamente com a pessoa mais idosa da casa, evitando assim de pagar a tarifa pela viagem.

Entre as propostas apresentadas na reunião, estão o reajuste do valor cobrado por trecho (quem vai para locais mais distantes pagaria um preço mais caro) e a cobrança em cima da carga levada pelo usuário. A proposta agradou os assentados e foi apresentada a diretores da empresa, que participaram da reunião. Um novo encontro deve ocorre ainda nesta semana para tentar solucionar o impasse.

Segurança

O diretor-presidente da Agetrat lembrou ainda de algumas exigências do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para o transporte de passageiros fora do perímetro urbano. “A Lei exige que todos estejam sentados e com cinto de segurança. Essa fiscalização é feita pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), que inclusive fez autuações neste sentido”, esclareceu. O transporte de cargas também deve ser feito de forma organizada. “Não é permitido que a carga fique no mesmo local que os passageiros. Todas essas são situações que devemos avaliar e equalizar uma alternativa satisfatória para todos”, completou. (PMC)

 

Por: Da Redação

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