Corumbá

Para Paulo Duarte, ato na Bolívia foi histórico e importante para região

 

A Bolívia aprovou, há quase 2 anos, a chamada Lei de Regulação e Saneamento Veicular (Lei 133), que ‘alcança carros roubados no Brasil usados como moeda de troca no tráfico de entorpecentes e armas oriundos do país vizinho’. Os resultados dessa lei, no entanto, começam a ser sentidos somente agora no Brasil e, mais especificamente, em Corumbá.

Um total de 283 veículos e 97 motocicletas expropriados no Brasil começaram deixar Puerto Quijarro nesta quarta-feira, 27, onde permaneciam sob custódia do governo boliviano, rumo ao pátio da Receita Federal, no Posto Esdras, em Corumbá. De lá, seguem em carretas à Delegacia Especializada em Furtos e Roubos de Veículos (Defurv), em Campo Grande, onde serão vistoriados e encaminhados aos proprietários e seguradoras.

No pátio do 5° Distrito Naval da Armada Boliviana, onde se localizavam os veículos, vindos de diversas regiões da Bolívia, uma cerimônia na tarde desta quarta-feira oficializou a entrega do primeiro de muitos lotes que devem ser entregues futuramente às autoridades brasileiras.

O evento contou com as presenças do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, do Ministro da Presidência da Bolívia, Juan Ramón Quintana, e de diversas outras autoridades civis e militares de ambos os países.

O prefeito Paulo Duarte entre os ministros do Brasil e da Bolívia (Foto: Kleverton Velasques)

O prefeito de Corumbá, Paulo Duarte, cidade fronteiriça com a Bolívia, também prestigiou a cerimônia e exaltou a importância do encontro. “Este é um ato histórico e de grande importância para as gerações futuras do Brasil e da Bolívia e, particularmente, de Corumbá”, disse.

De acordo com a presidente da Aduana Nacional da Bolívia, Marlene Ardaya, o sentimento no país é de dever cumprido e a expectativa é de que o acordo de mútua assistência penal entre os dois países possa gerar grandes resultados no futuro.

Para o Ministro José Eduardo Cardozo, trata-se de uma ação pioneira e fundamental para a questão da segurança pública e combate ao crime organizado. “Essa é a primeira vez na história que temos algo parecido. E que isso sirva de lição para os céticos que pensam que um país deve se impor frente aos outros e não dialogar”.

O Ministro da Presidência Boliviana, Juan Ramón Quintana, ratificou as palavras do ministro brasileiro, defendeu o aprofundamento das relações institucionais e fraternais entre Brasil e Bolívia e ainda deu um recado aos que lucram com o crime organizado.

“Este é um sinal firme e explícito contra as organizações criminosas. Essas organizações precisam saber que há dois países fraternos e com muita vontade política para aprimorar, juntos, a segurança pública e combater de forma contundente qualquer forma de crime organizado”, diz. “Não é possível que essas organizações encontrem facilidades para o ingresso de dezenas, centenas e milhares de veículos roubados em um país”.

 

Por: Da Redação